A juventude me abraçava, e todos sabiam que ela me cortejava com suas promessas falsas, mas agora ela está apenas se afastando como uma ventania passageira. Penso que ela é um furacão, quase uma maldição. Ela costumava beijar meus lábios e me acariciar o cabelo, mas ela é o que é, um sonho vagando para longe e longe. Me disseram para esquecer e deixa-la ir, mas não posso, queria que ela estivesse em mim. Por isso me ofusco, me atiro sem assas de um penhasco sem volta, sou Ícaro e flamejo no céu, queimo e me desfaço. Me perco de mim mesma e me perco dela. Nos condeno a um fim precipitado e imaturo e nos aprisiono dentro de um vaso imortal. Eramos cálidos e somos uma tormenta de lágrimas em seu final. Vejo se afastar, vejo se afastar e quando olho, também sou eu a me afastar. Deixe que leve o que restar, que nos carregue em voltas singelas pelo céu, que nos amacie como uma bola de algodão branca e brilhante até que não reste absolutamente nada para estar. Então apenas deixe... Deixe estar.
