Constantemente eu lutei para deixar ir, mas continua aqui queimando as cortinas do sétimo andar, o azar que vem para assombrar você e eu.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Nuvens cinzentas...
Que me desculpem pelos dias amanhecerem todos nublados desde que ele se foi. As nuvens cinzentas continham a se agitar ao som do vento e dos galhos secos das árvores no jardim. Ele esteve aqui e é como se nunca tivesse existido, ele não está aqui, mas é como se ainda estivesse. Há tanta poeira no ar que eu respiro que costumo me transformar em um turbilhão fotografando suas pegadas insistentes no chão. Não sorrio mais com a frequência com que costumava, mas o faço para dissimular e me enganar que a vida segue estando lá totalmente para ser vivida. Quero abraçar todos os travesseiros que algum dia ele descansou sua cabeça e acreditar que por um lapso do tempo, ele continua ali com o mesmo olhar sereno em seu rosto, mas mais uma vez resta apenas o vazio que a ausência causou bem lá no fundo dos abraços que eu não mais darei ou receberei no meu ser. Não há mais nada que eu possa dizer a não ser: Me desculpe por ainda sentir sua falta, me desculpe por você, e me desculpe por mim mesma e pelo mundo por estar constantemente cinza neste inverno seco em B.H.
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