As ondas rebentavam na costa, mas elas rebentavam também dentro de mim. Os icebergs gelados são gelados como minha alma o é, perdida no inconsciente constantemente alterado, subjugado e não domado. Navios se perdem em tempestades que Deus sabe jamais serão recuperados, há que se ver com dias insólitos intermináveis. Há o que se perda dentro de mim, se perda a minha própria perda. Ulisses rogue aos céus que te tragam de volta a borda translucida do horizonte.
domingo, 31 de agosto de 2014
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Vazio...
De todas as coisas dolorosas do mundo só me ocorre o vazio. Mergulho em mim mesma e no fundo nada encontro. Beirando a superficialidade e a falta de jeito me debruço nesse parapeito e me perco. Toda sensatez e reserva são rastros de um passado incomensurável que a mim já não pertence. Quero a certeza e a lógica de volta, quero meu eixo, meu apoio, quero a mim mesma ilimitadamente. Bonito seria os teus olhos nos meus e a certeza de que quando eu emergisse novamente estaria lá me esperando com abraços, sorrisos e pouca reprimenda, pois sou criança errante, carente do vosso afeto.
domingo, 24 de agosto de 2014
Stay...
De baixo de toda a dor seu coração grita, ele continua ali, embora não pareça mais. As pequenas pegadas que o passado deixou nas areias quentes de fevereiro, no sopro sereno de vida em seus pulmões quase infantis, lhe marcaram como seu último primeiro suspiro. Estava vivo e livre, embora liberdade sempre fora sinônimo de ilusão. Sabia que não poderia mais voltar para casa, porque casa não existia mais. Dizia a si mesmo: você deve ficar onde sua alma estiver, mas talvez apenas sua alma houvesse partido décadas atrás. O mar continuava lá, dentro de si transpondo suas facetas, mas os dias são frios e solenes e se questiona: Estou morto? Se um dia segurar seus dedos frios e sentir sua pequena respiração assombrada, eu ei de dizer-lhe que há que estar aqui, mesmo que os dias ainda nasçam depois que tenha partido, que o sol se deite com sua eterna amante, que as estrelas ainda pisquem nos céus, e casais rodopiem no salão, você precisa estar aqui... Para que nós também estejamos.
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Tenho vontades
Tenho vontades de beijar cada constelação
de me jogar dentro de um mar em forma de abismo profundo
de abraçar minha própria escuridão
Tenho vontades de caminhar em cacos de vidro
de dar um salto duplo carpado para trás
e não me esquecer que de fato havia ido
Tenho vontades de circular o mundo com meus dedos
de me consolar na imensidão de um por do sol vazio
e me desprender da realidade sem ter meus medos
Tenho vontades de jamais ter vontades
e ser parte da totalidade de um mundo esquecido
atrás de cortinas de vaidades.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
Progresso!
Pedindo perdão, pedindo desculpas, sussurrando explicações. As partes afundam em um oceano congelado de recriminações, mas céus, Deus sabe o quando estou condenada ao muro das lamentações. Vergonhas que deveriam ser entregues a abismos incongruentes de uma personalidade dilatada. Divido-me ao meio, divido-me várias vezes em esperança de que alguém queira um pedaço, mas ninguém deseja fragmentos, por isto me rendo ao torpor da falta de sentimentos e te entendo estamos falando sobre ciência e progresso, não sobre mim.
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