terça-feira, 25 de outubro de 2011

Meio certa, meio errada...


Deixe-me ali de lado, meio certa, meio errada.
Um pouco torpe levemente tonta, caio na besteira de abrir a janela do terraço, sem pretensão qualquer, soprando sombras que se expandem dentro de mim. A luz entra como ilusão e me tenta a ceder, mas eu que já me acostumara a ausência, digo não meio sonolenta. Ela insiste, não se vê satisfeita, atira-se dentro como a dona de nada e me devora a carne astutamente acariciando meu vazio. Atiro-me as sombras novamente mesmo que a outra ainda me segure pelo tornozelo. Fecho os olhos e finjo sono profundo para ver se ela vai embora. Para minha completa infelicidade ela persiste adentrando cada vez mais, me vejo encurralada, sem saída  me desespere e grito para que vá embora. Ela não me escutaria, havia algo certo nesta lógica. Meu coração tão morto tenta combate-la a pancadas, quando percebo estou respirando poeira de sótão. Inexoravelmente, ela me havia pego! Com o dedo na ferida sangro, pois certas coisas não deveriam ser expostas a luz, e ali, meio morta, meio vida a odeio secretamente enquanto morro tendo certeza do mundo dentro de mim que se vingava contra minhas paredes manchadas.


Não é como se as coisas certas insistissem em cair cheias dentro de mim, despedaçando as barreiras da escolha. Depois diferentemente a paranoia nos corrói pela garganta, não há escolha, não há escolha. O passado sempre como um fantasma entre nosso presente e futuro conectando lama a lama. Os pingos de chuva caem na testa, lembre-me, lembre-me de esquece-lo amanhã.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Beijos de cigarro paraguaio

Se houver um outro jeito, qualquer jeito de não guardar hematomas nas costelas. Trancei pernas, eu sei, fui longe, fui fundo, beijando o que havia de errado em mim.Quando ficamos neste quadrante irregular, mergulhados até os ossos em nossas próprias mentiras, é certo que chegou o momento.
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Círculos

Meu bem, me abrace pelos círculos do tempo
Sem qualquer pretensão de optar por algo
apenas atravessando a rua do seu passado
tropece em mim e não peça perdão
arraste suas novas desilusões com um sorriso
Me quebre nas esquinas antes de atravessar
incline-se na minha devoção
Desculpe-me meu bem, mas estes momentos costumam me embaraçar
Mas, depois parta, pois ambos sabemos que não podemos ficar
beliscando o ontem com relógios nas mãos

Nos afastando da borda



A chuva vem caindo vazia sussurrando coisas sujas
Não há árvores para se abrigar
Caímos lentamente abraçando o desespero
mas, meu bem a água me atingiu os tornozelos
foi tão forte olhar o mar se afastar
se abrigar como um parasita dentro de mim
não é fácil ficar, então me deixe partir nas veredas do inatingível



Sei bem que minha vontade de desaparecer é bem mais forte que a tua de ficar.

sábado, 1 de outubro de 2011

Utópico, utópico, mundo cinzento. Deixe que eu me acabe em meus travesseiros não pedindo mais desculpas por ter pedido. Me deixe ficar forte para a próxima onda.