Nesses dias que nenhuma de nossas poesias faz sentido,
e o mundo parece repleto de incoerências,
eu me deparo com esses teus olhos de fingida malícia,
e por Deus eu me esqueço de tudo anteriormente dito.
Então salve-me das minhas próprias aflições
para que eu não peça abrigo a mais ninguém.
Ah, esse mundo de incoerências
onde seus braços parecem o porto
onde eu desejo profundamente chegar
domingo, 18 de julho de 2010
Fanfic- Bones
Gravidade
Tentei caminhar pela rua hoje e encontrei o seu olhar em alguém, com a luz vociferante me cercando, eu sempre encontro, mesmo não querendo, pedaços de você pelo caminho. O cheiro de bolo era minha fragrância favorita até encostar minha cabeça em seu peito e perceber que no meu mundo nada fazia sentido, que nada me pertencia verdadeiramente quando você colocava o dedo no meu coração e minha alma se desgrudava do meu corpo.
Eu tento e tento e algo me faz voltar pra você. Não demora muito. Eu queria que soubesse que estou resistindo ao desejo de voltar.
Eu sou você nos dias de tempestade, sempre, mas não sou mais frágil. É apenas mais um dia frio...
Era apenas mais uma das cartas quase diárias não enviadas, cheias de correções, borrões e linhas grifadas, e sempre ela jurava a si mesma parar de escrevê-las, mas já não conseguia. ““A maioria delas começava com acusações do tipo, “você me faz precisar de você”, e logo partiam para o lado mais agressivo e obscuro com trechos de letras grandes escrito” eu te odeio” varias vezes como se ela tenta-se convencer a si mesma mas que logo eram rabiscados até sobrar um buraco na folha. Apesar de tudo todas elas tinham algo em comum, ela sempre necessitava repetir mais para si mesma do que para qualquer outro, “mais um dia” como se estivesse tentando se desintoxicar de uma droga perigosa. Era a droga do amor tentando romper suas veias e dissipar sua existência.
O cheiro doce, simples e nada confortável da vida. Então ela sabia que precisava dar um passo adiante, mas talvez simplesmente não soubesse como fazê-lo, e nesses momentos era acometida por uma náusea, dessas que não vem do estômago ou da garganta, que é inconstante e mais poderosa, que não faz vomitar pela boca e sim pelos pensamentos desordenados e acumulativos. Dor de cabeça, ela necessitava lembrar-se de não mais pensar. Impossibilidades... Que ela pensava enquanto atravessava uma rua movimentada. As flores desabando do topo das árvores que balançavam em uma dança imprecisa anunciavam a primavera, onde casais felizes deslizavam pelas ruas comprimidos pelas paixões, pequenos ciclos de vida que se iniciavam. Breves momentos de alegria.
O céu azul ao alto, o sol parecendo despencar de sua imensidão vociferante, após uma breve chuva, um arco-íris tímido escapando por entre nuvens e rasgando o céu cuidadosamente. Tudo isso parecia proposital, alguma espécie de plano diabólico da natureza. Brennan olhou para traz com os cantos da boca virados para baixo em desgosto, tinha a impressão de que algo aconteceria para lhe tomar a paz, e então tropeçou. O sapato deslizou pela poça de água e seu corpo se curvou para trás fazendo-a cair de costas. Seus olhos azuis se misturaram ao azul inebriante do céu e ela suspirou ao ver uma cabeça frente a sua romper sua visão.
— Mademoiselle. — Booth disse com um sorriso de lado capaz de acabar com qualquer linha de raciocíneo e realmente por um momento nada coerente surgiu na cabeça dela. Ele puxou-a para cima trazendo-a a realidade.
— Aulas de francês? — Ela perguntou fazendo-o soltar um daqueles longos sorrisos que pareciam ter a capacidade de iluminar uma cidade inteira.
— Continua soltando fogo pelas narinas Bonnes? — Ele perguntou despreocupadamente.
— Como nunca, por isso se quizer se salvar fique longe, o mais longe possível. — Ela não queria sorrir porém de seus lábios escapou um lindo sorrido.
— Quanto tempo faz desde a última vez? — Brennan perguntou. Como se ela não soubesse, havia contado os dias um por um, e eles pareciam anos. 31 dias e 31 noites.
— Um ou dois meses. — Realmente fazia tempo que seus olhos não se tocavam, tanto tempo que não deveria haver recaidas. Ela estava fugindo talvez, não sabia ao certo quando teve a infeliz idéia de tirar férias, sobre protestos sem duvida
— Por que? Eu estava quase conseguindo. — Ela se lamentou segurando a mão dele longe de seus ombros ou qualquer outra parte de si que chama-se por ele. Então aquela sensação de familiaridade parecia querer lhe invadir os poros.
— Conseguindo o que pequena? —Ele perguntou com uma voz baixa e melodiosa que mais parecia um longo suspiro abaixando a cabeça. Por aqueles lábios armoniosos ela se perdeu, por aqueles lábios venenosos e embriagantes ela pensou deixar tudo para trás, por aqueles lábios imperiosos ela quis esquecer quem era.
— Esqueça. Não precisa ser sempre assim. — Em um estampido ela se lembrou do beijo, o do sabor que tinha. As mãos firmes dele deslizando por seu corpo e a sanidade lhe escapando. Lembrou de como era bom pensar que ele por alguns instantes parecia estar uma eternidade ao seu lado e que o sentimento de abandono nunca mais lhe invadiria. Não, eles não precisavam acabar se agarrando no corredor como quando naquela vez que empurrando seus corpos em direção um ao outro com os olhos fechados entraram por uma porta e invadiram um cenário que estava sendo usado para um programa infântil e os olhares perplexos de todos os acusaram, principalmente aquelas miudesas de crianças que nada compreenderam e ainda deviam estar se perguntando o que havia acontecido naquele dia estranho. Talvez o primeiro beijo de verdade, e Deus... Seria o último.
— Bones, o que está pensando? — E ela tinha algo divertido na face. Talvez fosse por conta daquele olhar meio que ausente de Brennan que sempre lhe causava uma ligeira estranheza.
— Booth, por todas as suas crenças não chegue mais tão perto de mim, tão pouco me chame de Bones. — E ela sentiu a respiração dele lhe roçar a pele.
— Lembra de quando lhe segurei nos braços para que não despenca-se da sacada de um prédio? Eu lhe disse que te seguraria até o nosso último dia. Há algo sobre nós Bones que... — Ela pensou nas mãos dele segurando suas mãos qunado pensou que já não havia nada. Era teimosa e não escutou as orientações de Booth sobre fazer seu trabalho e deixar que a justiça fizesse a sua parte, ela quis ir até o final e conseguir a prova que condenaria um criminoso.
— Por favor... — Ela soltou sua mão e o abraçou respirando o mais fundo que podia para sentir o cheiro da roupa dele uma vez mais, e sempre, sempre era aquele cheiro doce e ao mesmo tempo amadeirado com uma pitada de perigo. — Por favor... Lave as suas roupas pois elas cheiram suor. — Booth riu mergulhando o rosto no cabelo macio dela.
— Então... Sempre voltamos a isso não é? — E ele mergulhou nas costelações que se escondiam dentro do azul dos olhos de Brennan.
— Por mais que tente não há como fugir de mim Bones. — E sua boca se grudou a dela. Podia ser o último beijo ou talvez ainda fosse o terceiro. Tudo era incerto quando se tratava dos dois e assim provavelmente sempre seria até algum dos dois dar o braço a torcer e se cançar o que eles duvidavam muito enquanto permaneciam inebriados pela aura de mistérios que os cercava.
sábado, 3 de julho de 2010
como meio que ausente
Seguindo os seus olhares e vasculhando os lugares onde eles se perdem sem sentido. Ainda que detesta-se esses teus olhos de ausência contemplavel não paro de examila-los um a um para ver se encontro algo que antes ainda não havia notado.
Não mais que de repente duas pedras castanhas se detém olhando para algo dentro de mim, meus músculos se contraem e minha respiração é suspendida até sair fora de sua mira com as bochechas em brasas.
Destesto quando estas assim, meio que perdido procurando algo que eu mesma não pude encontrar por trás das rachaduras da calçada velha. Suas mãos suspensas no ar traçando algum caminho sem rumo totalmente rudmentar.
O quanto prefiro evitar a escuridão e as luzes que se encontram tracejadas em seu peito, detestando estes teus olhares que me querem vasculhar a alma a procura de algo que nem eu mesma consigo encontrar.
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