quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Depre...

Sinto meu mundo ruir e com ele minha vida e alma pequena e insignificante na dança magistral da existência que nos assola, engole e consome. O medo que antes era um senhor pequeno e velho fez morada e hoje é vizinho frequente que atravessa sem bater a porta. Mergulho em tudo que não era para ser mergulhado, me afogo e afogo sem enxergar além do azul escuro, do negro. Me encolho ainda mais na minha mesmice e já não escuto os chamados insistentes de fora.  Me deixe! 
Não me deixe!                                   A B C D E F G H 

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Ama.

Segue sendo uma memória, como fumaça que surge de repente, mas aos poucos se evapora para não deixar muito além de uma sensação estranha de ausência. Me embrulha, te embrulho, nos embrulhamos! Se ama a lembrança, não se ama o ser? Se ama o que ele representou, não o que ele é? Se ama a ilusão, não a realidade tangente? Se ama...? Ama?

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Sinto sua falta!

Vou sentir sua falta todas as vezes que olhar para trás e ver sua sombra se desfazer na dimensão do tempo. Sentirei sua falta quando olhar os meus recortes e ver o teu como que ausente ou disperso. Vou sentir a sua falta em todos os pequenos detalhes da vida vibrante que nenhum de nós leva. Vou sentir sua falta quando tentar encontrar teu rosto no rosto alheio e mais uma vez me enganar na ausência de devaneios. Sinto sua falta em todos estes dias que não está e até mesmo naqueles em que em dado momento esteve e segue sendo meu eterno desejo pungente, a parte de mim que sente, as mãos frias, o coração quente.  

Flores murcham com os dias, a primavera se foi a muito tempo, o outono se despede e o inverno não trás alento.

Maktub...

O sopro do vento trás o seu cheiro, seu beijo, seu gosto e tudo o que ainda não provei. O laço do destino se prendeu em nossos tornozelos e um de nós teve que cair. Que vermelho seja o nosso destino, que vermelho sejam os nossos lábios mesmo quando não se beijam, que vermelha seja a lembrança impregnada na minha cama e no meu sofá e nos sorrisos um dia roubados que voltarão a brilhar.

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Jurei ter visto você, durou apenas um segundo e passou, mas eu jurei ter visto. As vezes o cérebro é traiçoeiro e quer trazer a tona tudo o que ele mais quer. Naquele campo hoje, eu jurei ter visto você. Quando olhei para o céu azul com nuvens de algodão macio sopradas pelo vento forte e ainda até em meio a poeira vermelha e grudenta, eu jurei ter visto você. Em cada pedaço e canto que exista naquele lugar, você permaneceu, em todas as lembranças, em cada momento, aquele lugar sempre será seu, independentemente do tempo e espaço. Sinto sua falta, mas quando estou lá me aproximo novamente de você, ou de quem você foi e embora isto ocorra, me torno mais pesada, densa, o peito se aperta, as cenas se repetem e eu não posso deixar de lembrar... você!
                                                                                                                  Londrina, 29 de julho de 2018