sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Injustiça maior

Preso dentro de uma casca fechada longe da luz serena do luar, na penumbra dos dias que sequer nasceram para falecer em leito nada esplêndido de um hospital. Carne devorada, carne que fica e que estilhaça, mais fundo, mais fundo até desmembrar sua alma que apodrecida eternizou a poesia do  condenado que se transformou. Sua voz como canto de pássaro em desespero urrou, urrou, mais no silencio ficou e ficou, ninguém o escutou. Rugi Rogério!

domingo, 17 de abril de 2022

Um fantasma a assombrar...

 O mar transbordou nossa existência até a impossibilidade de se remediar o que talvez pudesse ser remediado. Descosturou-se sua existência da minha, partiram e se rasgaram fitas vermelhas pelo chão já quebrado coberto de cinzas, restos de cigarro, álcool, manchas. Quanto de mim, quanto de ti triturado, esmagado, abandonado naquela viela escura do passado. Quis muito acreditar na existência da tua alma, das tuas intenções, da tua verdade e ainda que lutasse contra fantasmas tudo em mim se apagou de súbito, restou o silêncio, as trevas e a desilusão. Não somos os únicos, a dor não é única, mas ainda assim é só minha e grande demais para se arrastar. Sodomizei nossas almas, que desgraça tão  grande para pronunciar.