segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Apagadores de incêndio de Cincinnati

Quando eu disser que quero ir 
apenas me deixe quieta aqui
Eu só preciso de um momento em silencio 
para apagar este incêndio
Há uma multidão la fora arruinando meus pensamentos 
sobre o que de fato eu consegui.
É pesaroso e fugaz a felicidade 
que um dia eu sonhei em adquirir. 
Não conte as autarquias sagradas
elas rezariam pela minha alma pouco imaculada.
Mais um golpe no estomago 
e eu vou estar implorando antes de cair.



Jardins verticais de Paris.

Ela lhe dirá como é ser um estrangeiro em um mundo que não foi feito para si. Anjos estão despencando das nuvens, nem seu calcanhar é capaz de os segurar e eles também sabem que o céu não foi feito para si. As flores morrem nos jardins sem sequer florescer, há muito que se deve aprender, há muito que ninguém vai se dar ao trabalho, há que entender. Que se deixe apodrecer!

Colisão de universos

Dois universos colidiram em uma manhã quente de primavera sobre os raios brilhantes, dourados do sol. As folhas despencariam das árvores, a poeira levantaria mais uma vez e a vida seguiria seu rumo junto com a primeira rajada de vento. Levantando e levantando uma e outra vez, pois os sábios disseram que nem mesmo uma gota de água cai do céu se o Grande Senhor não o permitir. Questione a ele quando tudo se espatifar em pedaços pequenos difíceis de limpar. Ele disse que foi a melhor decisão, Ele disse que era indispensável o curso que o rio deveria tomar agora e alguém se apegou fortemente a esta explicação. Entre crucifixos pesados, este é só mais um que se deve carregar, se quiser olvidar, quem sabe uma concussão? Os universos irão se afastar cada um para um rumo diferente que se deve tomar, santa abdicação, e daqui alguns bilhões de anos desprovidos de sabia decisão talvez eles voltem a se chocar, no imenso infinito de possibilidades que está a nos rodear. 

sábado, 18 de novembro de 2017

...porque aquele vento nas colinas no inverno é você, o vento que sopra por entre a folhagem em uma floresta é você, o vento que desmancha um punhado de poeira no chão é você, e todo o resto... todo o resto segue sendo você.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Carta enviada ao meu antigo eu de 10 de setembro as 7:00 da manhã de um dia que deveria ser preguiçoso e a Belo Horizonte que segue sem sol

....E fiquei pensando sobre coisas como o dia 10 de setembro de  2017. Já ouviu falar que o bater de asas de uma simples borboleta no Japão pode causar um tufão do outro lado do mundo? Isto é chamado de teoria do caos criada por Edward Lorenz em 1963, ele não me conhecia tão pouco eu conheceria ele, porém conheço a teoria e de repente as coisas fazem sentido. Sabe aquela coisa sobre teoria das cordas ou mesmo da teoria dos multiversos? 
Há um grande universo lá fora esperando por qualquer um de nós para se agarrar pela mão e então puxar para aquilo que será. Em 10 de setembro eu sabia sobre tudo isto, eu realmente sabia. Se não houvesse ido, se simplesmente houvesse estado do outro lado da cidade, com outras pessoas, outros amigos, outros rostos, outras paisagens, outro céu? Eu deveria ter ignorado o choro noturno da madrugada anterior e todos os pensamentos decorrentes daquilo? Fechar os olhos inchados recém despertos na manhã e menear a cabeça negando e voltando para mundos mais seguros? Pensamentos também tem consequências, pensamentos na verdade é toda a maldita consequência que se tem que lidar no dia a dia. Mais uma pilula e o engolimos com um copo gelado de água e tudo começa uma outra vez. 
Queria dizer que não há decepção, é só um mal entendido. Queria dizer que já passou, mas continua aqui. Queria dizer que não me importo, mas eu me importo pra caramba e tudo segue assim. Queria dizer: Que droga o que eu sinto, porque se eu não sentisse tanto não haveria decepção a mastigar. E pergunto, se eu pudesse voltar em 10 de setembro? Sabe o cheiro e o gosto? Eu lembro de todos eles. Lembra da pedra de gelo? Eu me lembro realmente. Se por acaso a maldita não houvesse escorregado por seus dedos e atingido ali por baixo das minhas pernas, provavelmente 10 de setembro seria apenas mais um dia dentre vários dias, sem significado algum, sem grande consequências, mas naquele dia em especial eu decidi que abriria as portas do sótão e limparia o que houvesse ali dentro, os maus pensamentos eu os substitui por novos maus pensamentos, porém menos nocivos e incapacitantes, as memórias ali guardadas, as encarei uma ultima vez e finalmente dei algum tipo de significado a elas para que eu pudesse seguir em frente sem maiores conflitos, é claro que elas ainda me visitam, é o dever delas, e logo depois eu abri as janelas e deixei que a luz do sol entrasse, mas a gente sabe que a luz do sol apesar de aquecer, ela também estraga algumas pinturas, ela causa alguns danos a pele. 
Apesar de você ser a noite, pois há um universo incrustado em todo o seu ser, por algum motivo tinha as mesma consequências que o dia ensolarado. É estupido sofrer também por antecedência, quando já se está sofrendo com algo ali metralhando em pancadas a porta, claro que é estúpido, eu sei disto, porém... Você sabe que eu tenho uma alma leve, um coração leve, um mundo leve e que se você atirar água sobre ele pode se desmanchar como folha de papel e então haja vento e ventania, tempo e sol para secar.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Belo Horizonte

B.H. amanheceu com nuvens em seu céu matutino. Todo cidadão local que olhasse diria: Este é um curioso céu estranho. De noite as estrelas não brilharam e todo viajante que olhasse diria: Este é um curioso céu estranho.

Constelações escondidas.

Me abrace, quando o vento passar não se deixe levar. Me abrace e a cada pequeno suspiro que der que seja intenso como se estivesse tragando fumaça para dentro dos seus pulmões. Me abrace mesmo quando eu quiser apenas fazer uma grande malcriação sem precedentes cantando algumas canções. Me abrace mesmo que o mundo ao nosso redor se azede sem nenhuma compaixão. Me abrace quando a noite tiver mais escura e os pesadelos de outrora venham me buscar. Me abrace mesmo que eu não peça, só para dizer que daqui para frente eu tenho com quem contar. Apenas me abrace, pois no final sou apenas eu que sentirei saudades de contar todas as tuas constelações escondidas e provar um pedacinho do céu estrelado escondido debaixo de tantas camadas que eu sempre almejo dispensar.
Constelações escondidas de B.H.