quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Escorre pelos dedos...

 Tudo que se tenta agarrar escorre como areia pelos dedos. A porta que se fecha com força, a janela que se quebra, nada fica, tudo se vai. A vontade humana é tola e tolos são os humanos  de se prenderem quando a vida é o2. Tão pequenos e inúteis engatinhando na imensidão do desconhecido cheios de tão pouco tomados de tanto, com a fúria queimando suas entranhas até a chama se apagar no circo da existência e de seu tudo, nada mais restar.

domingo, 25 de julho de 2021

Abismo

 E o abismo sou eu é você, é a batida que ficou, a dor que quase matou, o arrependimento que não sessou, o questionamento, o medo do que vem e de tudo que pode ir e não voltar. Para todos os homem que passaram pela minha vida nesse momento, talvez mereçam uma palavra, meia palavra, duas, mas eu prefiro o frio do silêncio e a ignorância de mundos partidos. Talvez eu mereça todas as palavras do mundo, mas preferi não escutar.

domingo, 18 de julho de 2021

Pior que você...

 Sei que partes suas se mesclaram as minhas, e me questionei se estava me relacionando sozinha. Cada marca que deixou na pele, como   escamas eu decidi deixá-las, eu mergulhei em algo que não tinha, procurei o mundo inteiro em uma piscina vazia. Meus olhos continuaram refletindo os seus e eu sorvi a tristeza como se ela fosse a resposta ao caos que você me presenteou. Me tornei pior que você!

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Medo!

 Tenho medo do meu coração, do que ele me diz e do que deixa de dizer, do que me esconde e do que me escancara a pleno céu aberto. Tenho medo dos seus desejos, dos seus nãos, dos seus sins. Tenho medo quando grita e quando dói parecendo que está a ponto de se destruir, quando vibra e flutua de animação. 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Acordei

 Depois de tanta escuridão, depois de tantas trevas eu posso ver a luz do sol. Caminhei sem rumo maltrapilha por lugares que ninguém desejaria visitar, vi a face da dor e seus olhos me incendiaram e quando a chama se apagou eu me vi em seu sorriso amargo em seu âmago, era eu, era eu e mais ninguém. O pesadelo vai ficando as minhas costas ainda que eu o possa enxergar, ele não se esqueceu de mim e eu não esqueci dele, mas hoje lhe dou as costas.

Das coisas que eu aprendi quando veio as tempestades

 Sendo criança por mim mesma eu não tinha pernas, não tinha voz, não tinha nada, nenhuma proteção me alcançaria, pois eu nada sabia falar mesmo que eu soubesse as palavras não ocorriam e nada chegava a consciência além da paralisia, da infelicidade latente, da vontade de não me envolver com nada nem ninguém, de não existir, não em um mundo que me era estranho e onde coisas estranhas me ocorriam. De alguma forma e ainda que isto soe estranho, a morte me trouxe sorte. Não sei bem o quanto houveram mãos espirituais de terceiros no imbróglio da vida, mas coisas piores poderiam me suceder, seja lá o que seja isso. 

Sendo adulta por mim mesma tenho minhas pernas, tenho minha voz, eu tenho a mim mesma e não preciso de mais nada além. Ainda que a dor me atormente e me lance me dilacerando de dentro para fora como arma secreta de inimigo na guerra, ainda assim, eu posso agora me proteger e dizer finalmente: Não!

Fecho algumas portas e me distancio finalmente. Só será meu o que for bom, o que for mau eu lançarei ao fogo quantas vezes forem necessários até que pereça. 

Sou forte, sou eu e estou viva de agora em diante até que a morte me separe de mim.

domingo, 2 de maio de 2021

 Eu te amo, eu só não gosto mais de você!

quarta-feira, 31 de março de 2021

Onde está o meu coração?

 Onde está o meu coração?

Reside na vontade desenfreada de aplacar o ódio e a raiva? Reside nos meus momentos de lamúrias sobre eventos catastróficos que eu não pude conter? Reside no inferno que se fazem as lembranças de momentos que vão dia após dia se tornando longínquos ainda que muito presentes em mim? Na minha falta de vontade em viver a vida e sobreviver aos dias? Onde está o meu coração? Me questiono. Naquele cujo nome eu bani da minha vida? Em suas mentiras, em seu jeito dissimulado, no fracasso de um relacionamento inescrupuloso, no joio que eu tento a todo custo separar do trigo? Nos espinhos que se fincam em meus calcanhares, da carta que eu não queimei, no anel que eu perdi para a desilusão? Onde está meu coração?

terça-feira, 30 de março de 2021

Quase quatro

 Tic tac, tic tac, soam os ponteiros do relógio, como eles eu também me enferrujei. Tenho todos os lábios do mundo, um banquete o céu me ofertou. O que sua filha desejar, ela terá, disse o Deus do olimpo. Semanas passam, semanas vem. Se tem tudo, mas não se tem nada e na incompletude da vida me debruço, na falta daquilo que me matou me castigo, no vazio da existência eu me sinto.  

domingo, 21 de março de 2021

Se eu morresse amanhã...

 

Caímos uma centena de vezes em abismos obscuros e obtusos cujos meus olhos se recusaram a ver uma imensidão de vezes em sequelas de tempo. O tempo... Este mesmo que corrói até mesmo o ferro, corrói nossa carne até o cerne e com isto repetimos em unisono no baile de nossas vidas: tudo passa. Pois tudo passa mesmo, é gritante e escancarado, ou não passa e usamos isto como muleta para nos apoiar ou mesmo para nos afogar pensando adiante . Se eu morresse amanhã? Há conforto nestas palavras, o mundo se acabará mais uma vez, só que desta vez pessoalmente para mim. Não mais a dor, não mais o pesar, não mais sofrimento. Espero que não hajam lágrimas a escorrer nem tão pouco nariz a enxugar, minha vida é cintilante e cintilante acabará.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Cartas de tarô

 Nosso destino traçado em cartas de tarô. Não dormi a noite pensando se era karma ou desamor. Parece fatal e o orixá já determinou: afaste-se deste homem vai para onde o pai te levou. Veja a sua frente o caminho de pedregulhos que ficou, sangue derramado, o vinho que sobrou. Ele não ama ninguém, o narciso o beijou, você beijou ele, mas ele não te beijou. O mundo, o louco, a roda da fortuna, o diabo e teu julgamento, juntamos tudo, tudo... Eu e você, você e eu pedaços perdidos na imensidão de um universo longe do paraíso. Como anjos caídos, devotos pecadores. Adormecemos no mangue cercados de dissabores. Mais uma vez, alma gêmea que se desfez, vidas e vidas perdidas por nada e ao nada retornaremos um dia do pó que cicatriza nossas feridas para nós ferirmos mais uma vez.

 Um copo de gin, 

perfume de cigarro, 

uma parte partida, 

caindo aos pedaços.

 O medo mora perto, 

Arrebentei a porta 

cai de cabeça

 fiquei toda torta. 

terça-feira, 9 de março de 2021

Mais um dia

 Eu seguro firme. Todos os dias quando as luzes se acendem eu sorrio. Quando olham para mim eu rio, quando vejo um bichinho eu acaricio seu pelo fofo. Todos os dias eu caminho, de lá para cá de cá para lá, eu vivo, pois viver um dia após o outro é infelizmente o único jeito, não há outro caminho ou forma de escapar a dor. A pessoa que sou quando olho no espelho permanece a mesma, mas quando me sinto eu vejo que não, não mais a vela tagarela que conversava sobre a vida com todo e qualquer motorista, que sentava na frente e não se importava. Penso em cigarros mais frequentemente do que gostaria e preciso evita-los, este perfume podrido de alguém que já não gostaria de recordar. Todos eles, estes narcisistas tem o mesmo perfume e nisto estou me tornando um pouco eles? É para não morrer, absorver a doença infecciosa? Eu tento, não podem dizer que não faço o meu melhor esforço, pois eu faço. Sinto a falta dele? Se me perguntar, francamente posso dizer que sinto falta dele todos os dias e não sinto nenhum dia. Todos os dias me recordo dele e não recordo nenhum dia. Todos os dias, todos os dias... Mais um dia, eu vivo mais um dia.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Mãos que se desprendem

 Faz um tempo desde que eu não deito nos braços de alguém, mas ele me fez deitar e acariciou a superfície do meu ser. Quando eu olhei seu rosto vi o céu, nuvens passando cada vez mais longe e longe. Entre um copo de vodca, risadas e beijos eu me esqueci. Ainda quis um cigarro, mas meu maço eu apenas não havia trazido. Se nos apaixonarmos seria engraçado, engraçado porque o destino gosta de fazer piada e eu cansei de rir. Noite passada havia sonhado com o outro, tinha me virado a cara, não olhava no meu rosto, morávamos juntos e ele tinha ido embora e eu não sabia se iria voltar. Talvez não volte nunca mais. Se voltasse me reconheceria se nem eu mesma me reconheço?   Entre um copo de vodca e outro, entre um copo de gin e outro, entre um trago e outro, entre uma borboleta e outra.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Entendi.

 Naquele mesmo bar que fomos quando ainda não éramos sequer namorados. Por algum motivo estúpido ele mostrou quem era realmente e aquela era uma das brigas que viriam de muitas, simplesmente sentou-se longe, cara emburrada, sim foi exatamente naquela mesa que hoje eu me sentava de frente para outra pessoa, perto daquele horário há mais ou menos um ano atrás. A pessoa da vez tem conversas sérias sobre política, trabalho, saúde e gosta de fazer um tipo de esporte besta de burguês. Não, ele não lembra em nada ele. Olho para os lados achando que a qualquer momento se materializará como um fantasma, seu carro preto batido, sua fumaça caminhando por uma estrada sem brilho até sumir. O que ele faria ou sentiria se me visse ali com aquela pessoa? Qual será sua rota agora? Retornará para aquele estilo de malandro com o riscado na sobrancelha como a primeira vez que o vi? O tempo passa certo? Eu mudei, ele... Nós... Nossas brigas desta vez não terminaram mais caindo em lençóis como anjos caindo do céu. Ao longe eu vejo a tempestade começar a se afastar, toda a chuva dos últimos dias me pareceu a lembrança de como era no final, tem dias que ainda garoam, na verdade garoa quase todos os dias, mas não costumo ver raios ou trovões. É, o tempo muda as coisas, será que ele imaginaria?    Olho para o cara a minha frente, antes de olhar para os lados falando sobre os Deuses da Guerra, é eu falo sobre, desta vez já não havia fogo em meus olhos, tudo tinha se reduzido a cinzas e as cinzas são facilmente dispersadas pelo vento. 

Ao final da noite eu entendi, meus medos eram tolos, ao final da noite quando este cara me mordeu eu entendi e por dentro meu ser riu em surpresa, ao final da noite eu podia respirar aliviada, mesmo que não conseguisse respirar deslizando minha língua em seus lábios. Finalmente eu estava fazendo meu caminho de volta a mim. Quem diria. Isso também não te faz rir?

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Primeiro maço

 Com orgulho expus meu primeiro maço de cigarros na mesa ao lado de um copo de cerveja, eram azuis como seus olhos e mentirosos como a tristeza. Suguei para dentro de mim uma e outra vez, mas não eram mentolados, apenas fumaça entrando e saindo para fora de meus pulmões com cheiro de gente familiar que eu revivia a cada tragada. Por um momento me torno ele, tenho seu cheiro tenho seu gosto, talvez seja dissimulada enquanto olho ao redor para rostos inteiros, mas vazios, talvez seja manipuladora como Ares prevendo uma guerra, talvez seja tudo menos o principal... Eu. Me tornei sim um pouco ele quando engoli para dentro de mim aquela esfera de destruição, como se fosse o caos, empurrei pela minha garganta sentindo rasgar, esperando me explodir em milhares de pedaços pequenos incapazes de serem juntados novamente. Sim, eu engoli, ou escolhia a dor desta morte ou escolhia me tornar mais forte que a destruição e ser eu mesma destruição, nem que seja para mim mesma para não dar o direito a ele de faze-lo. Eu reclamava de sua fumaça com medo de ela o levar para longe de mim como já me havia levado alguém, eu reclamava de sua fumaça, pois te queria respirando o mesmo ar que eu dia após dia, fui tola. Fui tola porque enquanto me preocupava demais com ele, ele não se preocupava nenhum pouco comigo, escolhia me aniquilar e aniquilar apenas pela força do seu desejo e pela sua incapacidade de controle. Mantenha suas calças fechadas! Era tão difícil assim? Pela culpa que carregava me fez sentir culpada, todo o tempo, o tempo todo até o fim, nessa tortura lenta que foi o nosso amor. Tantas vidas e mais uma para sua cota, para a nossa cota de dor, carregando montanhas com medo de se arriscar, rasgando e tropeçando, absorvendo, sorvendo, tropeçando, errantes, errados, tanto, tanto, tanto... Te dei um título, o chamei Bei, como os turcos o chamam, lhe dei, me dei entre palavras sujas e suadas, entre irreverência e dor para vê-lo  sorrir, cuspindo seu ser em mim, te envolvi em mim naquela dança, sem dança alguma, sem ritmo certo, com passos incertos, mas achando que era o certo e que no mundo não existia maior certeza do que a nossa, do que nós. A certeza se desfez, ela veio ruindo e ruindo como as cinzas do cigarro que jogava naquele cinzeiro transparente cheio de restos, me tornei também resto. Acabou... Eu fiquei naquele mesmo cômodo de quarto vazio onde nos dissemos amor e onde tudo se desmanchou escutando esta palavra em eco, a musica parou, só isto restou. Acabou!



terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Estrada

 Quantos kilometros percorridos

sua kilometragem disparou, eu sinto

um infinito de tudo que não deixou

eu minto

para suportar o dia que não findou

eu digo que não quero mais 

mas sou incapaz

de me livrar 

A estrada segue tremeluzindo 

ao longe tudo vai diminuindo

se perde borrado em um istalão

Eu perco as fotos, apago e queimo

mas continuo no meio fio da emoção

Conto carros pretos que vão surgindo

eu só queria estar seguindo

domingo, 3 de janeiro de 2021

Folha de caderno

 Me amassei nos seus braços feito folha de caderno, me entrelacei em seus desastres e me perdi de mim mesma tentando encontrar, rui minhas estruturas uma vez, duas, três até não conseguir juntar os pedaços. As lembranças celebram a tentativa do esquecimento, minha luta interna grita e eclode em mim em uma enxurrada descabida. Sentimento torpe, torto, me abandona, me deixa seguir e voltar a construir, me deixa respirar sem aparelhos para auxiliar. Por favor, deixe de ser para sempre em mim.

O vento que leva...

 O vento vem e se vai levando um pouco do que ficou, apagando os borrados aos poucos, levantando poeira e fazendo sujeira. Me despeço todo dia um pouco, vai ficando o que tem que ficar e para longe a mudança vai, para perto ela vem. Corro meus dedos pelas coisas que ainda tenho tentando me fincar no meu lugar para não ser levada junto nessa imensidão de estar e não estar. Crio o que tem que ser criado ou tento, me elaboro e reelaboro, me construo, desconstruo e aguento mais um dia, todos os dias.