terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Cigarettes after sex

Parte de você sou eu. Parte de mim é você nessa dança macabra dos nossos corpos. Me prendo ao delírio da fantasia utópica das nossas vidas, almejo de volta os dias intermináveis entre abraços e beijos e declarações de eu te amo sussurrados, almejo apenas a parte boa do passado. 

Reconheço em ti o depósito da minha mais impura afeição, reconheço em ti o dono do meu mais profundo rancor, reconheço em ti a verdade sobre a dor. Reconheço em mim a vontade de desistir da minha alma para te ter de volta esmagando-me nas mentiras faladas, não faladas, caladas.
De todos os amores que amei cabe a ti a dor que sinto como musica constante assim. Quero que os tímpanos se rompam, quero me encontrar em meio aos escombros de tudo o que deixou para mim. 

O silêncio, você e eu

Estará escrevendo uma musica, uma carta para se desculpar e tentar colar corações feridos? Estará pensando em como me dar flores e chocolates? Estará planejando um grande discurso com meias palavras bonitas em baixo da minha janela, um choro que não atinge os olhos, um sofrimento encenado? Está pensando em me dizer o que não deveria ser dito? Seu silêncio deve significar algo. Diante da tua vergonha, realmente não irá fazer nenhum movimento para reparar? Como Ares continua vivendo para a guerra em baixo de uma árvore centenária aguardando a tempestade passar, torcendo para as raízes apodrecerem antes de apodrecerem com você.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Subitamente nós


Hoje é nosso aniversário babe, um ano não se comemora todos os dias, foram necessárias 365 lágrimas, um altar para os pagãos, metade de um coração e uma maldição. Em um piscar de olhos a vida nos embriagou, teus olhos turvos, os meus, um anel para sempre perdido, migalhas de um futuro para sempre esquecido.

Rio do esquecimento

 Cairei no rio do esquecimento para estar ao seu lado uma outra vez, sem ser tão intima da dor e do temor, sem me cercar da sua traição, deixarei toda roupa antiga para emergir e submergir como uma nova pessoa, finalmente livre para meus braços alcançarem os seus. As noites de tempestade se findarão, o sol nascerá mais uma vez como nasceu um ano atrás. Eu e você, fogo e água, ameaça de destruição. Que o alinhamento de Júpiter e Saturno, sejam o meu alinhamento e o seu para todo o sempre, até o nosso derradeiro fim q há de vir mais breve do que eu desejaria.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Desistiu

 Depois de me destruir, tratou de me apagar como se eu não houvesse existido, como se fosse fácil deixar ir. Não insistiu tanto e eu apenas queria que tivesse implorado um pouco mais a ponto de eu deixar de me amar para aceitar apenas amar você. Eu esperei flores, chocolates, choros e promessas maiores, eu esperei que me dissesse todos os dias amor, até eu acreditar, mas apenas se calou dizendo que deveríamos seguir nossas vidas, como se fosse fácil, desistiu e eu destruída ainda não queria desistir. 

Boneca

 Sou uma boneca quebrada. Levou embora minhas cordas e eu me tornei um objeto paralisado no fundo de uma sala empoeirada onde não desejo brincar com mais ninguém. Me esqueça, pois eu mesma me esquecerei assim que puder manobrar a distância das coisas que me importaram. Há barulhos de passos no cômodo, mas eu me contento em entender que estou quebrada e já não me devolverá as cordas que carregou.

Apago teus rastros

Ainda apago teus rastros, todo dia apago um pouco e penso que apaguei tudo, mas ainda não cheguei lá. Apago teus rastros, mas o que apago é apenas físico, como apago teus rastros dentro de mim? Apago teus rastros, mas quando me dou conta estou dando passos atrás para mais um momento ficar admirando tudo que deixou aqui.

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Rumos opostos

 A tempestade foi inevitável, ela caminhou até nós e nós estendeu a mão. Turbulenta eu me apeguei e me agarrei, você se soltou e seguimos rumos opostos cheia de muito, tomados de pouco. Descrentes.

Brumas das partidas

 Havia  amor, mas onde ele estava agora quando se despede de mim? E na Bruma das partidas incertas nossos sentimentos confusos e abafados se partem em mil, fragmentados. Será que Deus não nos deixou como Maktub, ou seremos nós que fugimos do maktub. Haverá castigo, penalidade? Ou o castigo é a ausência um do outro, morte em vida dos laços afetivos que flutuam pelo tempo e espaço de momentos felizes recortados e tristes.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Conflito principal

 Conflito principal
Despertei dentro do que eu não tinha e o que eu não tinha sempre foi o que eu mais queria
Minutos se passaram e eu paralisei. O chão tremulou em baixo dos meus pés e o precipício se abriu para mim para engolir a mim e tudo o que eu não vivi.
Mais uma vez, uma outra vez. Me afoguei nós braços de alguém suplicando para não me soltar, mas sendo pesada demais apenas despenquei. Desta vez eu já não teria forças para subir todo o caminho novamente, não encontrava palavras certas para usar, embora eu imaginasse e imaginasse um caminho de possibilidades que se destruíam antes de que eu as pudesse materializar. Estou cheia, estou vazia, estou carregada, sem nada do que eu tinha, e o que eu tinha não era solo fértil embora eu tenha querido germinar. Sou uma nuvem cinzenta e meu conteúdo eu quis arrancar. Meu estômago se encolheu e eu cheguei como em tão raros momentos a sufocar. Era primavera, mas a vida do mundo já não havia em mim e essa infelicidade pegajosa se alastrou e contaminou. Eu te tinha em mim e agora não teria nunca mais. 
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segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Te amei tanto/ Ps. É claro q ainda o amo

 Te amei tanto

Não haviam palavras, eu n disse nada. Você reparou? Foi como um tufão passando e levando tudo consigo. E eu não disse nada eu apenas segui seu rumo de volta tomada de muito, cheia de tudo. Embora tenha sido cada mínima coisa eu não pude dizer nada ou eu transbordaria até inundar você.  

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Você me trouxe sorrisos, beijos e estalos. Cai no teu abraço infinito cheio de outros mais, cheiros, gostos, modos. Apaguei a luz e emergi para submergir no toque violento da metamorfose ambulante dentro de mim que encaixa contigo e encaixa conosco. Uma outra vez eu pudi sorrir, mas desta vez não sorri sozinha. 
Escrito em 26/03

quinta-feira, 5 de março de 2020

Acredite em mim!


Parece q viemos da mesma célula e é mais facil assim, quando nossas risadas ressoam juntas e não parece haver grande diferença no fim. Como um fluxo do rio seguindo para uma mesma direção espero que sejamos. a calmaria em meio a tempestade, o silêncio que ressoa sem ressoar e trás grande alento, o sussurro sussurrado da natureza sendo vida constante. Que o teu abraço sempre seja abraço em mim, e a tua vontade inclua a minha, que o nosso para sempre seja para sempre caminhando até o fim com cabelos brancos e mãos que deixam de ser suaves e macias, mas que estão carregadas de imensa sabedoria. Eu estou aqui, nunca deixe de me enxergar assim.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Tudo se foi!

Desculpe não faze-lo sentir que era verdadeiro como chama no altar dos Santos nas missas de domingo. Tudo se esvaiu pelas janelas e eu vi a grande massa indo de encontro ao jubileu dos derrotados sem regozijo. Havia muito e hoje há tão pouco, meu peito ficou oco e nenhuma folha de outono caiu, nem seus lábios me atingiram, nem sua dor, nem mais o pesar. Tudo de foi!