A vida não para, para eu sentir minha dor, embora tudo o que reste seja o imenso vazio dos dias que não vieram. O sopro de vida não se cumpriu, uma profecia se perdeu. As luzes seguem iluminando o caminho poeirento, mas algo ficou atrás na dimensão sufocante do espaço-tempo. Deixo o vento tocar o silencio com suas mãos gentis e tragar as palavras não ditas para dentro de si.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Mando
Mando o mando que caminha intragável. Mando o comando que alucina meus horários. Mando e canto: Se for para ser assim que se desfaça no ar como fumaça branca, pois de todos, sou eu o tolo!
O grande cenário.
Tenho medo! Sim, tenho medo. Medo de que a existência assuma o controla da minha vida, da sua vida e que não passemos de personagens em um cenário fictício e ilusório. Amargo o destino, amargo o caminho e o gosto dos meus lábios, o gosto do café que tomamos para insistir em estar parcialmente despertos para o show que nos aguarda. Abro as cortinas vermelhas e a longa plateia me olha, sinto que estou prestes a ter uma crise de nervos, tropeço uma ou outra vez, esqueço minhas falas, sou um boneco que alguém deve assumir o controle. Ao final, as cortinas se fecham e não há aplausos, nem vaias, há apenas o silencio intragável que asfixia até mesmo as minhas ultimas palavras quando enfim desisto e se vai meu ultimo suspiro.
O nada e o que é maldito, malfalado e assombrado.
Não sinto nada, talvez porque eu seja um nada. Do nada vim e ao nada retornarei, pois nada é para sempre e nada é a palavra que define, o lugar que adquire, a pedra que rola da ladeira esmagando tudo que estiver em seu pequeno caminho. Convertida nesta existência assombrosa as sombras vem mais uma vez observar pela janela e escutar os gritos. Tudo se desfaz, tudo busca o seu fim, maldita seja a pulsão de morte, maldita seja as vicissitudes da vida, maldita a boca que beija e que escarra, maldita, mil vezes maldita a nossa existência.
sábado, 9 de junho de 2018
Ossos...
Cante e me faça jurar que o nosso amor pode corroer os meus ossos. A integridade passou como um desconhecido perdido entre nós, mas eu juro que se torna difícil me afastar. Cada suspiro pesado e a densidade do ar me arrasta para trás, eu apenas quero ficar. Pensamentos são confusos, as vezes eles só vêm mesmo para dificultar estes processos esquisitos que a vida diz serem naturais. Fantasmas se perdem mesmo sem se tocar, no nevoeiro encantado em um país de alucinações, me perco, não vejo. Sou cego, não importa para onde eu queira olhar, não posso ver seus passos tingindo o chão. Foi só a chuva, ou tudo está alagado com as lagrimas que deixamos escorrer logo atrás? Fragmentos e cacos de vidro cortam a pele sem hesitamento, mas espero que ainda possa sorrir mesmo quando o sol não iluminar o seu céu. Quando ficar difícil demais, se agarre forte e eu prometo que não poderei te soltar.
I love you, Sayonara
Vou me partir em pedacinhos, recolha um e me leve a qualquer lugar.
O vento bate e eu quero abraça-lo até ele me acalmar.
Sopre sobre mim, me deixe sentir que há uma razão para estar assim.
Torno a me quebrar, não acho que cola de bastão irá me curar.
Arvores de cerejeiras balançam como se fossem se despregar
Sakura diz que a sua casa irá tornar.
Como boa filha, junto a terra quer se misturar.
e eu me pergunto se é assim também,
que eu devo me tornar.
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