quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

E acabou

Tive que deixar ir, pois não servia mais em mim, me desfiz e adquiri algo novo, não por quê eu realmente quisesse o que era novo, pois não queria, mas eu precisava para aceitar que o que está perdido, perdido está.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

O rio e seu ciclo

Tudo transborda e corre o curso do rio desembocando em algum lugar longínquo perto dos olhos da mãe natureza que gentil acaricia com suas grandiosas mãos sussurrando alguma cantiga antiga sobre o retorno de um dos seus pródigos filhos, mas um rio que segue seu sentido jamais torna a ser o que já foi um dia. Abandona-se e despe-se de suas roupas já antigas que não lhe servem mais e submerge na sua solidão interna para emergir uma outra vez com uma roupagem nova. Entre essas paredes que nunca escutaram nada há muito que nunca foi dito entre sussurros, gritos e suspiros abafados. Na penumbra da noite e no torpor trazido pelo sol, o tempo amarrou sua existência com laços feitos em corda com nó de marinheiro confiante de que jamais desatará, pois como bem sabe ele, nunca, jamais desatou.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Diário de domingo.

Respiro o ar que respirou algum dia sobre a sombra de uma árvore que gostaria de pensar ser centenária, olhando o céu azul e sentindo o vento gélido do inverno tocar minha pele. Ainda quando olho para o campo por alguns segundos parece que te vejo ao longe, assim meio borrado e distante. Suas costas, sua barba com fios curiosamente ruivos que combinam com o meu cabelo pintado, seu jeito de caminhar, seus braços, seu mundo, meu mundo e retorno novamente ao ponto de onde eu nunca parti de dias quentes ao sol. A realidade incendeia tudo ao redor e embora tente te encontrar em rostos desconhecidos, logo você não está mais lá, foi uma breve miragem trazida com a poeira vermelha. Quando olho os bebês nos colos de seus papais, na torcida, as mamães, as avós e avôs, os amigos... Quando dizem o teu nome, pois tanto quanto eu eles nunca te esqueceram, vejo tudo o que ficou para trás. Até mesmo nas brigas candentes e acirradas onde juro que vai sair um soco a qualquer momento. No instante em que os braços se erguem e junto a eles os gritos, as taças, tudo se vai.

sábado, 10 de agosto de 2019

Desde então.

Eu olhei uma vez, eu olhei duas e sigo olhando desde então.
Eu cai uma vez, eu cai duas e sigo caindo deste então.
Eu quebrei uma, quebrei duas e sigo quebrando como se fosse em vão.
Eu senti sua falta uma, senti duas e sigo sentindo, pareço um vulcão.
Não houveram promessas, mas em mim eu as criei através do meu desejo
Talvez eu esteja cega, quem sabe eu apenas não o vejo.
O oceano irá me abraçar e carregar
como uma garrafa perdida no mar até atingir a costa e sua mão me atar.

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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Lembranças.

As lembranças ficam presas aos meus sapatos e eu esqueço de dizer adeus. O fantasma permanece em mim assombrando os dias sem sol que restaram mesmo que eu tente colorir até o telhado. Antes que se termine mais uma tarde me sento olhando para longe vendo os pássaros distanciarem e me questiono se os peixes tem asas. Se eles não tem, como você pode se afastar? Parece que continuo esperando você retornar, por isso chuto pedras no caminho e pareço não me importar, mas eu sou quem mais se importou. O sol torna a brilhar  aquecendo o céu e eu posso ver o azul outra vez e sei que logo irá voltar e desta vez para ficar. Eu consegui ver o fio vermelho e tudo isto está em mim até o fim.

Ainda que...

Ainda que este mundo se desvaneça por um fio
e que todas as nossas desavenças me deixem para fora no frio
Ainda que o grande rei sol já não brilhe no horizonte
e que já não sejamos como antes
Ainda que todos juntos os rios se calem 
e a cor deste mundo já não seja
Em dias como este eu lembrarei você.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

10 coisas que eu odeio em você

Odeio todas essas pintas no seu rosto e corpo
que fazem de você todo um universo.
Odeio que seja tão difícil te imaginar um inverso e 
é até perverso da minha parte tentar.
Odeio teu  cheiro, teu gosto de menta 
do chiclete que leva no bolso 
e até quando ouço o teu nome chamar,
pois teu nome é comum, mas eu só lembro de um
e meu pensamento fixa no teu olhar
aquele mesmo escrutinador de que está a me observar 
cada passo sem titubear.
Odeio que esse mesmo olhar seja ausente e que me faça recordar
da tua falta torpe que há um oceano a separar
E é bom que esteja lá, mas ainda assim me faz te odiar
quando trás a mim meus sentimentos mais perturbadores 
e sinto que nunca houveram outros causadores 
além do senhor que é meu eterno mal estar.
Odeio quando me leva ao topo e me tira de lá
sem cambalear, pois sei que também,
amaria me odiar. 
Sobre todas as coisa como o ódio, odeio ainda mais
nunca te odiar, nem por um momento, nem pelos
milésimos de segundos da batida das asas
de um beija-flor no ar.
 B.H. sorria mais, ria mais, seja eternamente feliz

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A dor das despedidas.

A vida... tudo sobre ela é incerto e sabe que segue como as ondas do mar em seu balanço constante cheio de muito, as vezes tocado de pouco. As velas que se apaga uma vez ao ano, a dança que se dança no grande momento de nossa existência, o fio de cabelo que cai e se vai, o toque que toca cada parte mínima e infinita do nosso ser que estará guardado em caixinhas pequenas na cabeça. Do desejo de que nunca termine enchesse as papilas gustativas, mas Deus sabe que não controlamos nada e que nunca iremos. Como o balanço do mar em nossas vidas agora sinto que sinto muito, por todas as coisas que não há como mudar, por todas as coisas que não sou dona, por todas as coisas que ficaram, por todas as coisas que não acontecerão e ainda mais por aquelas que irão acontecer. Haverá sempre um espaço tremulo de bons sentimentos em meu coração, e é lá que eu sempre te guardarei, por toda a eternidade intacto. Que o rio de lágrimas seque e que novas flores voltem a brotar mesmo que a primavera tenha se extinguido.

terça-feira, 7 de maio de 2019

OMA ET

Vício.

Voltei ao vicio dos cigarros, para ser honesta nunca me desfiz deles. Sabe aquela vez que eu dizia que ia ao banheiro e demorava tempo demais, ou as vezes em que ia dar uma volta sozinha pela praça? Pois é, eu estava! É sutil o modo como eu finjo não precisar mais deles até para os cachorros de rua, mas quando não há viva alma olhando, lá estou eu de volta a eles. É embaraçoso, é verdade. Seria melhor que eu afogasse o vicio dentro do oceano atlântico para que ele circulasse pelo oceano indico e terminasse no oceano pacífico , talvez na barriga de algum animal marinho tipo um peixe. Melhor ele do que eu, não é mesmo?

sábado, 20 de abril de 2019

Das coisas finitas que desejamos que sejam eternas.

Deslizando para dentro da sua pele enquanto escuto anjos em coral pregando sobre a salvação e o perdão. Talvez por um momento eu esqueça enquanto absorvo a sensação de estrelas explodindo dentro do meu ser. O mundo finito se torna mais finito mesmo que se queira beijar a eternidade, o real é pulsante e quase um velho senil. Tomei até a última gota da garrafa de vinho suspeitando que isso me fizesse reviver o que não se revive mais e amargurada fiquei vendo navios ao meu redor passarem com algum sermão e oração que eu tapei os ouvidos para não ouvir. O relógio na parede não se move com as ondas do mar, mas por que me sinto mareada se não saímos do lugar e fui eu quem ficou? Deus tem seus propósitos para tudo e cabe a todas as minhas partes menos nobres aceitar.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Entra fazendo barulho e se desfaz no meu sofá esperando meu primeiro olhar que diz que o universo está prestes a desabar. Respira e se retira e corre em círculos mas não tem onde se esconder, não há lugar aqui para se perder. Silencio eu não quero mais fantasiar sequer lembrar. Estou beijando lábios equivocados, mas há algo que ainda não está lá, acho que quando cair a noite as coisas podem melhorar. Tira-me a visão, tira-me o tempo que eu gastei perdida onde quis me encontrar, tira esse toque que quente ainda sinto tocando a ferida inimiga, querida, vivida, tira seu sorriso de dentes pequenos tão bonitos que é como se pudessem me cortar. Vem, não vem, me deixa esperar, não deixa ou acho que minha alma vai crepitar. Inspiro a fumaça de cigarro que carregada entra em meus pulmões e acelera as batidas do meu coração, expiro com força quase cuspindo em tossidas, quase querendo esquecer o que não deveria sequer lembrar.

domingo, 13 de janeiro de 2019

se que tienes demonios pero no los deje besar a la tua boca o te van a comer.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Mais uma vez me afogando no mar de ilusões simgelas que criou para que amargurassem e se azedassem dentro de mim como bebida fermentada. O azul cobriu meus olhos e por um momento tapou minha boca e nariz me impedindo de respirar e eu senti que nada iria mudar, o preto chegou para em uma onda me arrastar pelos pés de volta ao caminho da decepção. Assim seguimos mais um dia e outro e outro até o cansaço me tomar e eu enjoar de correr na sua direção e soltar finalmente a corda que nos prende pela mão.