sexta-feira, 19 de abril de 2013

Pensamentos...


Sinto o cheiro, o medo, e a saudade. Sei também que muitas vezes não sou eu, que trata-se apenas da voz na minha cabeça. Os resquícios de algum passado remoto tão presente. Grandes delírios a espreita na borda me olhando com olhos vivos e fulminantes. Nada do outro lado, apenas silencio. Sinto não sentir qualquer vontade de levantar e olhar com esperanças vazias que se disseminam na costa a primeira rajada de vento. Quem sabe anjos respirem também oxigênio. Tolice, eles não se contaminam, estar no mundo, e ser no mundo, coisas tão similares e tão diferentes. Como saber que não sou louca se meus comportamentos soam tão confusos aos olhos de Deus? Como saber se não estou morta, se parei de enxergar algum espectro de vida a tempos?

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Conversas de bar...

Um turbilhão de palavras enroscadas no fundo de uma conversa encoberta. O tilintar de quatro cubos de gelo no fundo do copo tragando a pouca consciência que restava. Restando do nada quando poderia dar tanto. Canto o teu próprio canto por curtos instantes. Canto o silencio mórbido que separam nossas palavras incompletas e insanas, separo-te então como um recorte de revista velha.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O mundo que é você

Todos aqueles bons preságios se arrastaram até a costa e de lá sua voz me embarcou em dimensões jamais vistas, o vento que era o seu sussurro de coisas intimas ferozes e vorazes cantarolando obscuridades por uma eternidade. O céu-mar inverso, universo de almas perdidas que me encontrava jogando-me de um lado ao outro, para tua iris, para a escuridão das tuas pupilas inflamadas, inchadas que sempre me diziam algo sem querer dizer absolutamente nada. Terminei marcada, pela areia grudada aos meus poros que agora a pouco era apenas um devaneio da sua pele quando não fazia  barba, como quando não quer nada, mas apenas não mente pra mim. Assim, tão pequena me encolhi como o jasmim sob a chuva torrencial de lágrimas de verão. Vá embora, se afasta, não me sentirei culpada pelas marcas passadas. Para agora de ser mundo, ilha de universo paralelo, duvidoso, jocoso...