sábado, 25 de julho de 2015

Não, eu não acho a tristeza poética, se ela o é, então eu triste, sou poesia.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Amores certos e amores errados...

Nunca me disseram que há amores certos e amores errados, mas quando  estou tremulando em uma linha invisível no seu terraço, eu sei que é errado, quando você toca minha pele quase instintivamente no meio da noite eu sei que é certo, quando fecho meus olhos para os erros cometidos tão trágicos e agitados eu sei que é errado. Quando seu beijo se encaixa perturbadoramente no meu beijo eu sei que é certo, quando eu o obrigo a esperar mais um minuto para que eu possa te observar uma última vez eu sei que é errado. Se isto é tão errado e tão certo, quando mergulho para dentro de você no seu mar de coisas confusas irrequietas, quando não posso estar longe por nem mais um segundo, qual seria o destino irrefreável, de nossas pulsões tão avessas a calmaria?

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O fim do mundo...

           Quando tudo estava próximo do fim eles vieram. Havia gemidos, murmúrios e lamentações, pois a catástrofe havia a muito se implantado como um verme até o osso corroendo insaciável. Muitos já haviam partido e os que restavam não durariam por mais de um dia.
            O mundo queimava, ardia e nós sabíamos. Isto não era o apocalipse, isto tratava-se apenas de nós, o que havíamos feito, escolhas, decisões e nossa luta interminada contra a nossa pobre natureza hostil, a mesma que nos havia mantido e nos assegurado a ir tão longe em nosso tempo de existência enquanto raça humana era a  mesma que com sua mão pesada nos apunhalava com o nosso egoísmo e hostilidade inerentes.
            Eu penso sobre os dias passados, na campina, no prado, em um botão de flor a desabrochar, na água límpida correndo para dentro de minha garganta de modo agradável, o cheiro de terra e poeira quando despencava a chuva depois de dias de estiagem, o azul do céu durante os dias de verão, as risadas, mas que tudo as risadas e sorrisos, pois não víamos um há muito tempo agora. O que havia ocorrido conosco? Questiono-me, quando ergo minha cabeça não sou eu quem está fazendo a pergunta, eu sei de algum modo que esta voz aqui dentro não me pertence e sim a grande figura a minha frente. 
           Ninguém havia se dado conta, mas lá estavam eles. Perturbadoramente diferente, que nossa primeira impressão é tentar nos proteger. Quem podia se escondia, quem não podia apenas fazia como eu agachava-se no chão quase que pedindo clemencia. Sempre fomos estes que jamais suportariam diferenças, que crucificávamos o que fosse muito diferente de nós. Por quê? Eu penso que sempre tivemos medo, um medo irracional. Do que? Não sei, aniquilação? Não era tudo para isto? Algo sobre passar genes adiante, ter crianças que terão crianças, que terão crianças, que terão... Não tínhamos nada. Não protegíamos estas mesmas crianças. Estávamos perdendo tempo? Perdendo a nós mesmos. Se Eles viessem em outro momento nós os atacaríamos com todo armamento possível sem questionar-lhes qualquer coisa, era o que nós fazíamos, sempre foi, pois matávamos irmãos, matávamos a nós mesmos, extinguíamos tudo ao redor, como a droga de uma erva daninha. Não por nada, mas porque de algum modo mesmo com olhos éramos cegos, mesmo com cérebros pensantes, éramos incapazes de pensar, mesmo com mãos atuantes, éramos incapazes de parar. Se merecíamos uma nova chance? Apenas faça-o, faça-o antes que eu me arrependa de ter dito. Faça logo, antes que aja uma oportunidade verdadeira de salvação. Faça-o antes que Deus se ele existir em algum lugar nos veja e nos odeie por quem nós somos tanto como nós mesmos nos odiamos entre si.  

             E então quando os seres de fora, não convidados, definitivamente não convidados, pois aquela Terra não era hospitaleira, prepararam-se para fazê-lo ouve um grito agudo, o meu grito. A natureza em mim, minha pulsão de vida estaria falando alto agora, e eu apenas imploro não o façam. Não o façam. Salvem-nos, por piedade, não nos deixe apodrecer e definhar em nossa própria sujeita. Quando percebo em minha reza silenciosa, já não há nada diante de nossos olhos. Acaso tudo havia sido um sonho poeirento? Um delírio de salvação? Pois eu sigo aqui martelando os meus espinhos até o fim, iminente, alastrante, degradante, esperando uma coisa, qualquer coisa. Significado!