segunda-feira, 11 de março de 2019

Entra fazendo barulho e se desfaz no meu sofá esperando meu primeiro olhar que diz que o universo está prestes a desabar. Respira e se retira e corre em círculos mas não tem onde se esconder, não há lugar aqui para se perder. Silencio eu não quero mais fantasiar sequer lembrar. Estou beijando lábios equivocados, mas há algo que ainda não está lá, acho que quando cair a noite as coisas podem melhorar. Tira-me a visão, tira-me o tempo que eu gastei perdida onde quis me encontrar, tira esse toque que quente ainda sinto tocando a ferida inimiga, querida, vivida, tira seu sorriso de dentes pequenos tão bonitos que é como se pudessem me cortar. Vem, não vem, me deixa esperar, não deixa ou acho que minha alma vai crepitar. Inspiro a fumaça de cigarro que carregada entra em meus pulmões e acelera as batidas do meu coração, expiro com força quase cuspindo em tossidas, quase querendo esquecer o que não deveria sequer lembrar.