sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Incondicionalmente...

        Junto com a fumaça do cigarro, também subia aos céus seus pensamentos cinzentos. Tinha cheiro do que era antes dela, tinha cheiro de quando era apenas ele e isto bastava para todos os propósitos. Porque não gostava então mais de quem era quando não estava com ela?  Suspirou pesadamente de cabeça baixa, murmurou seu nome junto a um palavrão pesado, pois sabia que ela iria seguir, e ele deveria não estar nem ai. Levantou-se agitado, com a camisa branca quase flutuando no ar, e percorreu trilhos de trem abandonado, chutou pedras, e talvez a si mesmo, resmungou.
         Lembrou do ódio que sentia pelo olhos brilhantes, de cores absurdas jogadas na confusão de um olhar distante e enigmático, do contorno marcado dos lábios dela, e do sorriso irônico que dava a cada frase que lhe escapava pela boca, dos passos atrapalhados, quando se calava, quando mentia, quando escorregava de forma sombria dentro de si, quando se ativara sem medir consequências dentro de abismos de mentira.

        Com a bituca na ponta dos dedos deu uma última tragada antes de se despedir de si mesmo, antes de se despedir dela, antes de se tornar um novo estranho seguindo por passos diferentes e admirou a fumaça subir, sabendo que lá também estava.



domingo, 3 de novembro de 2013

Como sempre você...

Veio como uma enxurrada triste e pesada, e carregou o que pouco tinha. As rajadas de vento ainda sopram na janela dizendo a mim mesma que... Silencie-se dentro de mim, e deixe te engolir como um sonho ruim. Torne-se passado remoto, porque preciso deixa-lo ir para que também eu possa seguir.