Olho para as paredes de pintura descascada, o chão desgastado, mais que a sola de minhas botas, as pequenas rachaduras no teto junto ao bolor de chuvas passadas, infiltradas, nada silenciosas. Escuto a madeira ranger logo abaixo, gemendo sua dor eterna e visceral. Sou jovem e eufórico, mas a dor me corrompe ao pensar que também eu serei um dia assim. Que não me poupa o tempo, pois continuo morrendo instante após instante mais próxima a fatalidade. Que não me poupa a velhice, pois quando me olho no espelho vejo já o reflexo de minhas doces rugas. Que não me poupa a experiencia, pois com pesar digo que a cada momento me torno mais dolorida dos fatos inevitáveis e inegáveis da vida.

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