Há uma agulha fina que entrelaça todos os pequenos pedaços de minha vida, retalhos velhos, novos, inegáveis. O destino jurou ter se calado mais borda suas rosas de espinho com tal afinco que inunda a velha colcha de vermelho. Sob estrelas que rolam calados noite após noite ressurge um horizonte que após horas é novamente tragado, devorado e mastigado por uma cortina escura que crepita a uma luz velada. Tocam os sinos da igreja e um coro de anjos se junta a pássaros passageiros como o tempo, e todos nos gritam com pulmões imaginários: Humanos! Ave maria cheia de graça livrai-nos da humanidade, enche-nos com tua harmonia imortal, cale a existência das necessidades e nos abençoe com uma doce insensibilidade. Amem.

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