Parecíamos
bordados frouxos feitos nas entrelinhas do destino, escritos em estrelas
angulares a beira da derradeira catástrofe observando o mundo mais calamitoso
que elas com olhos compreensivos já exauridos de sentir a decepção que outrora
lhes pertencera e que hoje abria espaço para outro sentimento tão passional
quanto. Esperávamos o naufrágio, por que de alguma forma havia a
inevitabilidade da vida que dizia que mais cedo ou mais tarde aconteceria. No
fundo do mar esperando para coletar os destroços e fazer deles partes de nós
mesmos. Prendi-me com um sussurro esperando eu mesma me apagar como um palito
de fósforo aceso contra uma tempestade turbulenta bastante típica de verão.
Céus, mais uma vez a inevitabilidade das coisas, e com isto não quero ser a
criatura mais fatalista da minha espécie, tão pouco a mais resignada. Quero
apenas estar. Jamais ser.
Ser
me rotula como se eu fosso possível ser rotulada, como se apenas eu fosse um
remédio em uma prateleira, para... Estar, me garante o poder de ser mutável e
móvel pelas inúmeras possibilidades que me cercam, me reconstruindo e me
reinventando completamente independente de um destino que me manda ser quando
eu apenas quero estar por mais um momento e desaparecer de uma condição
resignada para o berço de minhas ideias maleáveis e modificáveis.
Com
isto sei que posso caminhar em ruas intransitáveis, tropeçar em meus erros com
uma frequência aterradora, me envolver em acidentes muito inusitados,
despedaçar-me em alguma curva, e cometer injurias pecaminosas, mas sou grata aos
céus por não ser perfeita em meus muitos aspectos, apenas tenho meus muitos
aspectos, vivo por um determinado momento meus muitos aspectos e depois me
desfaço deles em seus muitos aspectos.
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