O mar transbordou nossa existência até a impossibilidade de se remediar o que talvez pudesse ser remediado. Descosturou-se sua existência da minha, partiram e se rasgaram fitas vermelhas pelo chão já quebrado coberto de cinzas, restos de cigarro, álcool, manchas. Quanto de mim, quanto de ti triturado, esmagado, abandonado naquela viela escura do passado. Quis muito acreditar na existência da tua alma, das tuas intenções, da tua verdade e ainda que lutasse contra fantasmas tudo em mim se apagou de súbito, restou o silêncio, as trevas e a desilusão. Não somos os únicos, a dor não é única, mas ainda assim é só minha e grande demais para se arrastar. Sodomizei nossas almas, que desgraça tão grande para pronunciar.
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