Havia um garotinho perdido, eu estava lá também, mas não pude enxergar. Ele agarrava seu carrinho vermelho e o desfilava para lá e para cá. Aos pés ele estava passando os dedos na madeira lisa e envernizada, havia verde e amarelo ali, mas ainda assim eu não pude vê-lo lá. Debruçado sobre as velas que queimavam e exalavam seu cheiro quente, ele ficou. Longo o tempo, longas as horas. Precisamos vestir preto, preto é a cor da moda, qual parte ele não entendeu? Precisa colorir sua cara, precisa colorir suas memórias, precisa colorir seus passos no chão. O garotinho pequeno não entendeu, o pai dele nunca levantaria dalí. Garotinho depois de tantos anos foi capaz de entender que seu pai não sairia do campo de margaridas, mas que nós precisamos sair?
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