E... e acontece que te vejo naquela mesma confusão de saltos, sapatos, marionetes equivocadas tropeçando por falhas escadas, perdendo rumo em tortos degraus de vidro, lastimando o rasgado vestido.Quando o sol parte e da noite você ridiculamente se torna a verdadeira dona, tencionando dar beijos até no espelho, consumindo a calçada de cal velho que as tuas pegadas já sugou. Juraria estar vendo estrelas febris lhe beliscando os olhos de masoquista que se tornou e a mim também me fez tornar. Talvez nós dois estejamos a nos cobrir do tecido de infelicidade e mentira que nos juraram um dia.
Mas, verdade seja dita, conheces-te o cabaret, o cabaret e as cinzas de dias que morriam nos teus frágeis beijos embriagados e não despertavam para um novo dia. Que se esperaria de sorrisos dormentes que se lhe agarravam as faces tão rosadas, tão pálidas, pouco amadas e abandonavam em quem te via toda a desilusão que um dia se poria fim?
E... E partiste sem os homens que uma noite pálida lhe juraram amor sublime, amor eterno, sepulcro mais tarde descobririas, quando os fantasmas se lhe tomassem o corpo enrugado que se contorcia em espartilhos apertados, e o coração teu riscassem com rosas fúnebres a mão.
Toda não serenidade que me trazias, teu batom carmim enferrujado das velhas ondas de maio, tua risada ardida e comovente que volta e meia me suplicavam uma última dança. Querida nossa falta de perfeição juntos tão febril que nos enredava em tropeços de pés descalços e terminava em soluços amargos de adeus.
Todo eu, toda você que partiria mais cedo ou mais tarde sem nada dizer verbalmente e as marcas nos cravaria na alma aturdida, devemos convir que não deixaríamos nada, nada a dizer, a contar, a burlar. Não, não deixaríamos, nem o cigarro que se partiu em teus lábios. Não de verdade que eu esteja equivocado, pois quando se parte se parte sozinho. E um certamente sozinho fica, embora nunca junto estivesse. Viste em que confusão me metes? Pois estava eu falando dos teus saltos e agora já nem sei do que falo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário