E você está ai, olhando pra fora e seus olhos parecem cada dia mais secos e frios, e talvez alguém deva saber que a culpa não é sua. Estou aqui, mas você entende que não somos os mesmos de ontem. Há neblina la fora e encobre nossa percepção de mundo vacilante. Tem alguma parte distante demais sua que insiste em nos abandonar. Desculpe estar do lado da porta esperando algum rastro de vida entrar, mas não posso aguardar até a próxima nevasca e te ver apodrecer. Já faz tanto tempo, e já foi bastante os fantasmas a segurar. Solte, solte, aquele pedaço de passado doente, solte e caminhe por mais alguns dias. A linha vacila e te traça um caminho pré determinado, não se deixa guiar por mentiras, a final todos sabemos que você pode ser mais do que parece. Está tão frio aqui que poderia chacoalhar os ossos e ver pedaços de vidro caírem, mas além dos meus olhos eu sinto o sol em alguma lembrança perdida do meu ser. Deve haver, deve haver. E as palhavas circularam pelo céu, para muito além dos dias frios. Espere, espere para dizer a ela que há solução!

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