Tudo transborda e corre o curso do rio desembocando em algum lugar longínquo perto dos olhos da mãe natureza que gentil acaricia com suas grandiosas mãos sussurrando alguma cantiga antiga sobre o retorno de um dos seus pródigos filhos, mas um rio que segue seu sentido jamais torna a ser o que já foi um dia. Abandona-se e despe-se de suas roupas já antigas que não lhe servem mais e submerge na sua solidão interna para emergir uma outra vez com uma roupagem nova. Entre essas paredes que nunca escutaram nada há muito que nunca foi dito entre sussurros, gritos e suspiros abafados. Na penumbra da noite e no torpor trazido pelo sol, o tempo amarrou sua existência com laços feitos em corda com nó de marinheiro confiante de que jamais desatará, pois como bem sabe ele, nunca, jamais desatou.
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