Respiro o ar que respirou algum dia sobre a sombra de uma árvore que gostaria de pensar ser centenária, olhando o céu azul e sentindo o vento gélido do inverno tocar minha pele. Ainda quando olho para o campo por alguns segundos parece que te vejo ao longe, assim meio borrado e distante. Suas costas, sua barba com fios curiosamente ruivos que combinam com o meu cabelo pintado, seu jeito de caminhar, seus braços, seu mundo, meu mundo e retorno novamente ao ponto de onde eu nunca parti de dias quentes ao sol. A realidade incendeia tudo ao redor e embora tente te encontrar em rostos desconhecidos, logo você não está mais lá, foi uma breve miragem trazida com a poeira vermelha. Quando olho os bebês nos colos de seus papais, na torcida, as mamães, as avós e avôs, os amigos... Quando dizem o teu nome, pois tanto quanto eu eles nunca te esqueceram, vejo tudo o que ficou para trás. Até mesmo nas brigas candentes e acirradas onde juro que vai sair um soco a qualquer momento. No instante em que os braços se erguem e junto a eles os gritos, as taças, tudo se vai.
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