Londrina, 12 de setembro de 3010
Dear,
Apenas queria dizer que se tivesse dito adeus, talvez houvesse me libertado da mágoa que me cerca. Não são mentiras sobre a menina que eu queria ser, tão pouco dá que fui e daquela que nunca existiu, que eu inventei como venho fazendo ao longo dos anos, inventar o personagem da vez que se esconde atrás de uma capa preta e usa uma máscara branca e que nunca foi nem nunca será o super-herói, tão pouco o mocinho.
Estive crescendo em um mundo cercado de sombras espessas e destruidoras, todas com seu capuz negro de fundo vermelho. Um dia ele me disse que seria verdade a mentira que eu tanto inventava. Um dia ele me disse que seria doce. Ele disse... Eu estou apenas aqui garota e você sabe que temos algo em comum que jamais rastreara em outro, você sabe garota... Então eu segui sua voz e me afastei de mim mesma, porque você sabe, eu sou sempre o lado perdido. Mas, eu estive cega por muito tempo pra me concentrar no jogo novamente. Criaturas dissimuladas nunca foram meu forte, eu acreditei, eu me sujeitei, e sabe eu vi... Hoje eu já não escuto mais.
Não há verdade sobre a verdade inerente ao homem. Acredite não há um dia em que isso não me roube a alma aos sopros. Talvez eu tivesse crescido demais e uma parte minha já não se regenera como nas lagartixas que se prendem ao teto vendo seu pequeno grande mundinho de ponta cabeça.
Eu não estive todo esse tempo perseguindo algo estive? Porque as vezes não tenho certeza se realmente aprendi a sonhar, as vezes eu simplesmente não tenho certeza. Sabe aquele outro cara, com olhos azuis grandes? Ele custa deixar de apontar para o céu do topo daquele penhasco. Ele apenas estende a mão, e de sua boca as palavras nunca saem. Quem sabe ele está esperando demais, pois eu nunca consegui encara-lo nos olhos. Dissimulados, velhos infratores e os grandes perdedores jamais poderão olhar para cima e se enxergar do alto.
Você sabe não? Que o que eu acreditei apenas se desfez, e como toda grande tormenta não há portões de escape.

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