De baixo de toda a dor seu coração grita, ele continua ali, embora não pareça mais. As pequenas pegadas que o passado deixou nas areias quentes de fevereiro, no sopro sereno de vida em seus pulmões quase infantis, lhe marcaram como seu último primeiro suspiro. Estava vivo e livre, embora liberdade sempre fora sinônimo de ilusão. Sabia que não poderia mais voltar para casa, porque casa não existia mais. Dizia a si mesmo: você deve ficar onde sua alma estiver, mas talvez apenas sua alma houvesse partido décadas atrás. O mar continuava lá, dentro de si transpondo suas facetas, mas os dias são frios e solenes e se questiona: Estou morto? Se um dia segurar seus dedos frios e sentir sua pequena respiração assombrada, eu ei de dizer-lhe que há que estar aqui, mesmo que os dias ainda nasçam depois que tenha partido, que o sol se deite com sua eterna amante, que as estrelas ainda pisquem nos céus, e casais rodopiem no salão, você precisa estar aqui... Para que nós também estejamos.

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