segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Entendi.

 Naquele mesmo bar que fomos quando ainda não éramos sequer namorados. Por algum motivo estúpido ele mostrou quem era realmente e aquela era uma das brigas que viriam de muitas, simplesmente sentou-se longe, cara emburrada, sim foi exatamente naquela mesa que hoje eu me sentava de frente para outra pessoa, perto daquele horário há mais ou menos um ano atrás. A pessoa da vez tem conversas sérias sobre política, trabalho, saúde e gosta de fazer um tipo de esporte besta de burguês. Não, ele não lembra em nada ele. Olho para os lados achando que a qualquer momento se materializará como um fantasma, seu carro preto batido, sua fumaça caminhando por uma estrada sem brilho até sumir. O que ele faria ou sentiria se me visse ali com aquela pessoa? Qual será sua rota agora? Retornará para aquele estilo de malandro com o riscado na sobrancelha como a primeira vez que o vi? O tempo passa certo? Eu mudei, ele... Nós... Nossas brigas desta vez não terminaram mais caindo em lençóis como anjos caindo do céu. Ao longe eu vejo a tempestade começar a se afastar, toda a chuva dos últimos dias me pareceu a lembrança de como era no final, tem dias que ainda garoam, na verdade garoa quase todos os dias, mas não costumo ver raios ou trovões. É, o tempo muda as coisas, será que ele imaginaria?    Olho para o cara a minha frente, antes de olhar para os lados falando sobre os Deuses da Guerra, é eu falo sobre, desta vez já não havia fogo em meus olhos, tudo tinha se reduzido a cinzas e as cinzas são facilmente dispersadas pelo vento. 

Ao final da noite eu entendi, meus medos eram tolos, ao final da noite quando este cara me mordeu eu entendi e por dentro meu ser riu em surpresa, ao final da noite eu podia respirar aliviada, mesmo que não conseguisse respirar deslizando minha língua em seus lábios. Finalmente eu estava fazendo meu caminho de volta a mim. Quem diria. Isso também não te faz rir?

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